É
corrente haver uma figura masculina que se sobrepõe como objeto de admiração ao
pai. No meu caso, foi o meu tio Zeca. E onde encontrava eu os predicados? Ora,
na superfície da farda, umas vezes azul, outras branca com que, de longe em
longe, vindo do Alfeite, nos revisitava na Lapa do Porto. Marinheiro do mar alto,
quantas vezes terá ele sulcado as águas no Sagres, rumo ao Brasil, às Américas, às colónias, à Índia? Pergunto-me. E, sim, aceito:
significativamente menos do que velejou nas
ondas encrespadas da minha cabeça. Seja
como for, na idade de ultrapassar por pouco a altura da mesa da sala de jantar,
o que eu queria quando crescesse, era tornar-me tal como ele. Mesmo que para tanto tivesse de deixar crescer a barba, contrariando ( vim a
sabê-lo mais tarde), a vontade materna, que me queria ver, à rebelia do meu gosto, zelosamente escanhoado.
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