segunda-feira, 4 de março de 2019

Lá teve que ser


E cá estou eu, maquilhado por abusivos e delicados pincéis. Que o menino haveria de parecer primorosamente rosado. ( O picturalismo é só saúde, não?) Pobre rapaz,  a penar mais com as idas ao fotógrafo  do que com as incursões ao barbeiro do bairro. E tudo para o zeloso cumprimento dum ritual que, tal como o meu pai, me parecia inútil. Pois que sentido fazia comungar se eu era tão descrente como uma formiga, um cão, o periquito azul que cantava na gaiola de certa vizinha? Mas lá teve que ser. A verdade, é que o único prazer proporcionado pela celebração daquela manhã solene, ficou-se pela degustação do último  croissant, deixado na mesa da sacristia, a que deitei tardiamente a mão.

1 comentário:

  1. boneco... e de respeito!

    da crença de periquitos, cães e formigas não podemos cantar de galo, infinitas e insondáveis que são as manifestações do Criador, nosso como dos outros bichos e também das coisas mais do universal etéreo

    e quem desperdiçaria um croissant (curiosa expressão, de fé) que atire a primeira (, as seguintes e a última) pincelada num retrato do Rapaz

    ;_)))

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